Desejo Alheio – (prólogo)

Prólogo
Thaís entrou no apartamento de Márcia devagar. Tudo estava tenebroso.
Percorreu cada cômodo. Abriu as janelas. A brisa soprava suave. Sentou-se em uma poltrona aconchegante. O corpo doía todo. Afinal, a viagem fora longa.
Fitou sua imagem no espelho. Apesar de tudo ainda estava bela… mantinha-se viva.
As pessoas levam da gente, unicamente o que permitimos – balançou a cabeça. Recordou tantas coisas. A vida se repetia, dando-lhe a oportunidade de refazê-la.
Ah! Se pudéssemos pressentir nosso destino… – este pensamento transmitia-lhe lamento.
Na expressão contemplava profunda tristeza. Insistia em não aceitar a realidade.
Ele blefou – replicou consigo mesma.
Mas a realidade às vezes vem como bomba atômica. Destrói. Faz cair pelos caminhos, tantos sonhos, tantos planos. Faz se perder e faz se encontrar. Faz sorrir e faz chorar. Sem metáforas. Faz amar e faz sofrer, nos mostra a nossa capacidade de praticar o bem e o mal ou ambos ao mesmo tempo.
Thaís levantou-se depressa. Foi até o quarto. Observou a cama ainda desarrumada, no chão, preservativos.
Sobre o criado a peça íntima. De Alisson.
Aproximou-se, espantou-se.
_Era verdade. Concluiu admitindo com forte dor no peito. A dor da traição, a dor de ser usada, a dor de ser enganada…
_Vocês se mereciam – disse em voz alta.
Abriu a gaveta do criado. Encontrou um diário com a capa dourada, que lhe chamou a atenção.
Curiosamente começou a folheá-lo. Pareciam relatos de muitos anos. Fechou-o. A capa dizia: Desejo alheio…
Abriu novamente e começou a ler…
