Impossível Esquecer (prólogo)
Impossível Esquecer, um romance surpreendente…
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Prólogo
O ontem…
Venha pra dentro, meu anjo – pediu a avó.
Não respondeu. Pegou alguma coisa ensangüentada. Chamou o cachorro e o presenteou.
Pra você, til… til…
Satisfeito, o animal correu para o canto. Saboreou o agrado.
Matar animais lhe causava forte contentamento, um efeito delirante. Observava de maneira densa o sofrimento da presa. A agonia sentida naquele olhar de misericórdia.
As férias eram uma estação muito aguardada todos os anos, mas com uma enorme diferença das outras crianças da mesma idade, sete anos. A fazenda da avó, cenário de diversos crimes infantis.
Toda ninhada da galinha tragicamente morta.
O primeiro, banhou em álcool e depois ateou fogo.
No segundo, cortou as asas e o enterrou vivo.
Os outros, tiveram morte lenta. Esmagava-lhe as patas, furava-lhe os olhos, cortava-lhe os bicos. O sofrimento, resultado magnífico.
Na temporada seguinte, trucidou os cachorros.
A vaca Mimosa necessitava eliminar. Teve uma idéia.
Vem vaquinha – levou-a até um atoleiro e lá permaneceu horas vendo-a afundar pouco-a-pouco.
Mas seu maior desejo ficou na infância, jogar uma amiguinha laje abaixo.
Por pouco a idiota escapou – pensava em revolta. Podia espelhar aquele sangue jorrando pela boca, olhos e nariz, sonho não realizado.
Na adolescência a iniquidade vinha-lhe feito luz desfazendo a escuridão. Experimentava intenso orgasmo quando praticava alguma coisa que incomodasse as pessoas. Uma carta, um telefonema revelando alguma mentira, causando briga. Fazia intrigas. Tudo com extrema discrição. Enfurecia-se com as pessoas que atravessavam seu caminho, impedindo-a de ser feliz, de tomar suas próprias decisões.
Uma mentira foi a agente decisiva para despertar-lhe ainda mais aquele instinto insano, a morte tornou-se a solução para a sua defesa. Como nos velhos tempos de criança, ninguém nunca saberia.
Tudo era muito sigiloso.
