Quem matou Rogério?

No final do meu romance Encontros e Depedidas o personagem Rogério é assassinado diante do juiz que o absorveu. Quer saber quem o matou?
Leia o texto na íntegra:

Mara sentiu um aperto no coração. Uma mão, como lhe estrangulando! Algo horrível estava acontecendo. Onde? Pensou em Mateus. Saiu correndo pela cozinha dirigindo-se à sala que dava para os quartos, gritando:
_Mateus, amorzinho, já vou!
Nenhum barulho era ouvido.
O bebê não chorava.
Já à porta da sala viu um vulto, alto, correndo. Um homem, não identificável. Não teve voz para gritar… apenas seu coração batia desregulado.
***

Todos esperavam o julgamento. Não havia provas que realmente incriminassem Rogério. Apenas suposições.
O Pai de Mateus, Carlos, quando interrogado sobre as possibilidades para o caso, afirmou que vira Rogério diversas vezes na janela do apartamento onde morava, em noites nas quais o filho chorava e ele embalava-o em seus braços. Rogério olhava para sua casa apertando a cabeça como um louco, batia as janelas e gritava: Não agüento! Não agüento!
Mateus era acometido por uma doença que o impedia de alimentar-se corretamente. Ainda que com toda a assistência médica, chorava de fome muitas noites. Tudo o que comia era novamente posto para fora. Os pais aguardavam o momento exato para a operação, que com esperança iria solucionar aquele problema. Mas Rogério não tinha conhecimento disso e mesmo que o tivesse não suportava o choro de criança. Foi perguntado se o conhecia. A resposta foi não, nunca tivera contato com o mesmo. Informado que Rogério já havia cometido outro crime igual àquele, matara o filho de meses por não suportar choro de criança, Carlos não agüentou e começou ai o seu desespero. Não havia provas, mas em seu intimo, mesmo antes de saber do crime, já considerava Rogério o assassino.
Após o depoimento de Carlos e de sua esposa Myriam, os dois foram liberados.
Mara ficou sob suspeita, mas não havia provas que a incriminassem e a família tinha a certeza; ela jamais faria isso. Amava Mateus e a todas as crianças da família como seus filhos. Cuidara de todos. Também foi liberada, mas avisada que ainda era suspeita. Na autópsia foi comprovado que um homem ou alguém muito forte era o assassino, pela violência com que partira o pescoço do bebê e os hematomas. Mara era franzina e de um coração imenso. Considerava aquela família como sua já que não possuía uma.
Os dias passavam lentamente, Mara, a Babá de toda aquela família não suportava a dor de não ter conferido a porta após a saída dos pais. Custara a vida de Mateus. Acusava-se de tê-lo matado.
Após investigações mesmo não havendo provas, Rogério foi preso como suspeito.
No depoimento Mara transtornada, relatou que vira, ao chegar na porta da sala que dava acesso ao corredor dos quartos, um vulto, pareceu-lhe de homem, estatura alta, foi só o que percebeu, não viu se carregava algo em suas mãos.
Seu instinto materno fez com que corresse para o quarto de Mateus.
Estava no berço.
Verificou naquela área da casa se algo havia sido roubado. Não! Não deu pela falta de nada. Não deve ter tido tempo para roubar. Voltou, trancou a porta da entrada.
Recuou ao quarto com a mamadeira na mão. Chegando perto do berço pressentiu novamente algo estranho. Mateus estava imóvel, o rosto lívido. Percebeu a toalhinha jogada no chão. Estranho havia colocado-a na cômoda. Num instinto de pavor apanhou-a mexendo assim na prova capaz de ligá-la ao crime. Ao tentar pegar Mateus do berço a cabecinha pendeu totalmente para trás. Com ele nos braços, em desespero, num ato de pavor começou a gritar correndo pela casa como à procura de algo, de socorro. Uma forma de ressuscitar Mateus. Impossível estava morto. As pessoas que escutavam os gritos saíram em socorro àquele desespero.
A porta da casa estava trancada.
Ao chegar em casa após mais um depoimento, novamente como fantasma, Rogério passou em frente ao carro e Mara pode ver o seu corpo pelas costas reconhecendo-o como sendo o vulto que vira sair da casa, mas não podia provar, já dissera a polícia que não teria como identificar, somente vira um vulto passar.
Quando da morte de seu filho Rogério também usou, no caso, uma toalhinha para tampar a boca da criança, esta também fora jogada no chão ao lado do berço, só sendo observada pela policia.
Toda a investigação prosseguia sem sucesso.
Rogério negava qualquer ligação com o assassinato. Não havia provas para incriminá-lo. Esse ele jamais confirmaria. A justiça não seria tão branda como foi no primeiro. Já não era réu primário. Neste caso era certa a sua absolvição, não deixara vestígios, fora mais prudente.
Durante todo o julgamento, cada um em sua dor, imaginava uma forma de não deixar que novamente Rogério saísse sem a punição, não recobrariam as vidas perdidas, mas impediriam um novo crime. Aquele assassino tinha de ser detido. Qualquer fosse a forma necessária. Seria impedido de cometer novos crimes.
Ingrid repassava ali toda a dor sofrida pelo assassinato por aquele ser vil, desumano, de seu maior sonho, seu filho, apoiava Myriam que também sofria a mesma perda.
Assentados na primeira fila ainda estavam, Carlos transtornado pela dor, Rodrigo, Marcelo que ali estava para cumprir sua promessa de fazê-la voltar a sorrir, Verônica sua melhor amiga que segurava agora sua mão. Ao seu lado Anderson. Cristiane já viajara para Chicago. Em outra ponta Mara. Continuava a considerar-se culpada. Aquele julgamento seria a finalização de sua culpa. Se inocentado Rogério não sairia dali ileso. Ela faria a justiça e seria imediatamente feita a dela também. Uma forma rápida de se buscar justiça.
(…)
“A sentença foi dada pelo Juiz de acordo com a soberania dos veredictos.”
(…)
“Perante o Juiz que julgara aquele caso ontem e hoje, diante da imprensa, diante do mundo, em meio a toda desordem”.
Atingido por disparos.
Toda cena se retrai…”

EPILÓGO

Aquele abraço, o mais penoso. Aquela absolvição, a mais difícil de sua vida. Era mãe também. Fizera um juramento e o cumprira fielmente.
“Somente as últimas palavras foram absorvidas.
Por absolvição sumária declaro o réu, Sr. Rogério Olinda Paiva, inocente”
Rogério agora a abraçava. Safara-se de mais um assassinato.
Por falta de provas Rogério foi inocentado, mas em sua justiça ele não seria absolvido. Sem que ninguém percebesse, por debaixo da toga atirou em Rogério seguidas vezes que com horror olhava-a nos olhos, caindo ao chão. Morto! Um inocente… culpado… morto!
Foi presa. Saiu daquele recinto onde a justiça cega se fez, sabedora de que em momento algum descumprira o seu juramento.
Drª Maria do Carmo Gonçalves Dias, Advogada de Rogério Olinda Paiva, sai aplaudida pela multidão que viu assim ser feita a justiça, ainda que pelas mãos de outro Ser Humano, mesmo que de maneira incorreta, mas era a voz que gritava, dentro dela, por modificação de Leis que protegem marginais.

Uma resposta para “Quem matou Rogério?”

  1. Toninho diz:

    Esse final foi premeditado!
    Assim não vale não, todo jeito valeu.
    abraços

Comente agora!