No elevador

É cada situação que acontece dentro dos elevadores. Num sobe e desce todas as horas do dia passam por ali dezenas e dezenas de pessoas, algumas tão inconvenientes.
Ela entrou falando alto ao celular. Além de sua estrutura grande, que ocupou quase todo espaço, devido ao seu excesso de peso, a voz também era irritante e aguda._ Se quiser passo hoje ainda… – disse em tom alterado.
A ascensorista somente expressava no olhar sua indignação.
Uma senhora de aparência estranha que se encontrava apertada no canto chegou a fechar os olhos de tanta gastura. Essa senhora é uma das pessoas mais esquisitas que se pode contemplar. Feia, a pele marcada com grossas rugas disfarçadas – ou melhor, tentando serem disfarçadas numa maquilagem mal feita. Acima dos olhos sua sobrancelha imperfeitamente desenhada, uma camisa grande e larga, enfim um visual burlesco. Bem, voltando a que estava falando ao celular, ela continuou a conversa por sete andares. Após desligar o aparelho comentou:
_ Cliente não deixa a gente em paz. – e sorriu, um sorriso incabível.
Para completar entrou outra senhora com um cachorro nas mãos. O cachorro é a cara dela. Essa é desagradável ao extremo.
Continuamente coloca o idiota do cachorro para se comunicar e lamber a face das pessoas.
_ Ele gosta de todo mundo – anuncia com satisfação.
Um jovem que por falta de sorte se deparava sempre com ela, tornara-se a principal vítima, aliás ele do mesmo modo tem suas manias, principalmente de escutar música no celular, próximo a ele dá para ouvir o zumbido incerto da música.
_ Olha ele está escutando música – falou a dona do cachorro.
O jovem sorriu sem graça.
_ Põem o fone no ouvido dele – pediu a senhora referindo-se ao cachorro.
O jovem atendeu a inútil solicitação. Como agradecimento recebeu do cão uma boa lambida na face.
Ao lado eu observava tudo isso. Ah! Às vezes no elevador de serviço, outras vezes no social.

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